Atuando onde a educação realmente acontece... nas entrelinhas do desenvolvimento humano...
- Larissa Leite

- há 4 dias
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Por Larissa Leite
Coordenadora do Projeto Entrelinhas
Após longos anos de vivências, experimentações, observações, estudos e análises, concluí que a educação ocupa um espaço significativo entre os meus propósitos de vida... Ela é uma parte essencial de quem sou e daquilo que utilizo como base para viver de forma integrada à sociedade.
Mas... diferente da visão de algumas pessoas, a educação, para mim, não se desvincula em momento algum de todo o processo de aprendizagem humana. Isso inclui os aprendizados sobre si mesmo, sobre o outro e sobre todas as dimensões que compõem a experiência humana - incorporando, aqui, aspectos relacionados a princípios éticos, morais, pessoais e universais..
Entendo a educação como um fenômeno tão inerente à existência quanto a própria aprendizagem... ela pode ser fluida e natural, sem regras ou direcionamentos organizados... pode também ser estruturada, sistematizada e intencional... pode ser construída a partir de perdas, fracassos, dores e sofrimentos. Assim como pode nascer das alegrias, conquistas, acolhimentos e realizações.

A educação, para mim, está integrada à condição humana... é INSEPARÁVEL dela... Por isso, parto do princípio de que todos somos educadores. Educamos para o bem ou para o mal. Para o crescimento ou para a destruição. Pela dor ou pelo sucesso. De forma planejada ou simplesmente instintiva...
Desenvolver ações voltadas ao contexto educativo exige compreender esse fenômeno e reconhecer seus efeitos na construção da humanidade... pois, da mesma forma que se educa para o desenvolvimento humano, também se educa para a intolerância, para a violência, para a alienação e para a destruição. Por isso, a sistematização das ações educativas, a compreensão de seus impactos e o reconhecimento de sua importância para a evolução humana são requisitos fundamentais para qualquer proposta séria de desenvolvimento humano.
Não há desenvolvimento humano sem aprendizagem. E não há aprendizagem significativa sem processos educativos que promovam reflexão, consciência, responsabilidade e transformação.
É justamente nesse ponto que se encontram os propósitos do Entrelinhas... atuar onde a educação realmente acontece... nas entrelinhas do desenvolvimento humano.
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Mas... por onde começar?
Comecei refletindo sobre como "atuar a educação" dentro de um universo de possibilidades que abrange o desenvolvimento humano... nas entrelinhas, seria atuar na evolução e no desenvolvimento do potencial humano em contextos psicológicos, psicossociais, culturais, econômicos, políticos, geopolíticos, morais, éticos, físicos, cognitivos, tecnológicos, emocionais, pessoais e tantos outros. Minha cabeça, literalmente, aqueceu, tentando encontrar estratégias capazes de contemplar todos esses elementos ao mesmo tempo... afinal, nenhum ser humano consegue abarcar todas as áreas do conhecimento e se especializar em tudo.
"...Podemos adquirir conhecimentos diversos e desenvolver uma boa capacidade de integrar informações... mas o aprofundamento exige tempo, dedicação, investigação, análise e experiência... e a quantidade de conhecimentos produzidos pela humanidade é muito maior do que aquilo que uma única pessoa consegue armazenar, compreender e conectar ao longo da vida..."
Foi refletindo sobre isso que percebi que uma das grandes vantagens de sermos seres sociais está justamente na nossa capacidade de "eternizar" o conhecimento. Construímos registros, produzimos ciência, compartilhamos experiências e transmitimos aprendizados entre gerações para que nada se perca e para que a evolução humana continue seu percurso.
Me vieram à mente diversos cenários da minha própria vida. Grande parte do meu potencial surgiu a partir da nossa natureza social... fui educada pela minha família, pela minha madrinha, pelos meus parentes, professores, colegas, amigos, vizinhos, instrutores, funcionários de padarias, patrão, gerente, diretores, coordenadores, conhecidos, namorados, até pelos meus animais de estimação... cada interação deixou marcas, ensinamentos, exemplos, alertas, inspirações e aprendizados... Todos nós somos educados pelo contexto em que vivemos.
Com essas reflexões, compreendi que uma educação minimamente preparada para atuar nas entrelinhas do desenvolvimento humano não pode estar limitada a um único profissional, a uma única instituição ou a uma única área do conhecimento. Ela nasce da integração social. Da união de diferentes saberes. Do senso comunitário. Da responsabilidade social. Das parcerias significativas. Dos objetivos compartilhados. Dos propósitos construídos em conjunto.
Talvez o primeiro passo seja abandonar a ideia de que a educação acontece apenas dentro da família ou da escola e começar a compreender que educar é uma responsabilidade coletiva... porque, querendo ou não, todos nós educamos alguém todos os dias.
E assim passei a fazer desde os meus 24 anos de idade...
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O segundo passo foi a busca por referências, formação e aprofundamento. Esse foi um processo contínuo, e continua sendo até hoje... não é possível se especializar em tudo mas é possível buscar compreensões significativas dentro da grande área educacional e, a partir delas, construir pontes entre diferentes campos do conhecimento.
Meus estudos foram sendo direcionados para algumas perguntas centrais: O que é sociedade? O que é educação? O que é desenvolvimento humano? Como esses fenômenos se relacionam e influenciam a construção da humanidade? ... Encontrei autores que se tornaram referências importantes para a forma como compreendo o mundo hoje. Edgar Morin é um deles... talvez seja um dos meus autores de base favoritos. Ele tem uma perspectiva da complexidade humana, da integração dos saberes e da necessidade de superar fragmentações do conhecimento que coincidiu muito com a ideia de educação que eu estava tentando processar. Foi o encontro perfeito!
Também busco ler autores como Putnam e o Bauman... eles contribuíram para eu ampliar minha compreensão sobre as organizações sociais, os vínculos humanos, as transformações culturais e os desafios das sociedades contemporâneas... além deles, Gerda Lerner e Bell Hooks foram essenciais na compreensão de estruturas históricas e culturais que ainda exercem grande influência sobre as relações humanas, especialmente aquelas relacionadas ao patriarcado, ao poder e às desigualdades sociais.
No campo da aprendizagem, os clássicos Piaget, Vygotsky e Wallon... para compreender o desenvolvimento humano e os processos de ensino e aprendizagem... Montessori também me ajudou muito, principalmente depois que virei mãe... me fez valorizar o funcional, a autonomia e a importância dos sentidos na construção do conhecimento.
Além desses autores, também busco aprofundamento em áreas complementares como a neurociência (tenho o livro de Bear, Connors e Paradiso); os transtornos do neurodesenvolvimento e da aprendizagem (Rotta, Ohlweiler e Riesgo); os cuidados geriátricos (Oliveira e Guerra); o DSM-5-TR; e diversas outras áreas relacionadas à saúde, ao comportamento, à psicologia e ao desenvolvimento humano em geral... Também recorro a autores voltados para educação familiar, parentalidade e relações humanas, como Luiz Hanns, Augusto Cury, Daniel Siegel, Tina Payne Bryson, Vecchio e outros que vez em quando consulto para buscar inspiração...
Nenhum desses autores, isoladamente, responde às complexidades da experiência humana. Mas, juntos, ajudam a construir uma visão mais ampla sobre como atuar na educação. Algumas pessoas, especialmente em determinados contextos acadêmicos, acreditam não ser ideal essa diversificação nas abordagens e formas de pensamento. Confesso que é complexo. Nem sempre é simples integrar perspectivas diferentes. As ideias muitas vezes se opoem, mas também, muitas vezes, se complementam.
Ainda assim, prefiro manter um conhecimento diversificado para compreender a diversidade do mundo... ou melhor... prefiro conviver com a complexidade do que reduzir a diversidade do mundo a uma única forma de explicá-lo...
A realidade humana é múltipla. As pessoas são múltiplas. Os contextos são múltiplos. E acredito que compreender essa diversidade exige também uma diversidade de perspectivas, referências e formas de pensar.
E, atualmente, não tenho interesse em publicar um artigo científico que, provavelmente, menos de 1% da população vai ter acesso... Quero "agir educação" na base... no cotidiano... E usar a produção desses 1% dos acadêmicos para trabalhar em cima disso... Não quero que o conhecimento permaneça restrito a apenas uma parcela minúscula da população... quero ajudar a traduzir, adaptar, integrar e aplicar esse conhecimento na vida cotidiana das pessoas. Isso é educar de maneira sistematizada! Esse é o papel do mestre, do professor, do educador com propósitos significativos...
E é justamente nesse ponto que surge um dos principais eixos do Projeto Entrelinhas: a Educação Aplicada. Um eixo que nos convida constantemente a retornar para a base... para a funcionalidade da vida cotidiana... nos faz voltar para a aplicabilidade de conhecimentos e para a adaptações didáticas e estratégias... E foi justamente a partir desse eixo que surgiu outro pilar fundamental do Entrelinhas: a Criação Estratégica.
Transformar compreensão em ação exige criatividade. E criatividade integrada ao pensamento estratégico é um combo poderoso para a aplicabilidade educacional.
Não é uma tarefa simples. A criatividade estratégica exige muito do cérebro. Ela demanda análise, associações, planejamento, adaptação, flexibilidade e resolução constante de problemas. Talvez por isso o cérebro humano nem sempre esteja disposto a ser criativo... para "evitar a fadiga"...
Mas, quando esse processo entra em funcionamento, é difícil interrompê-lo. As ideias começam a se conectar. As possibilidades surgem. Os problemas passam a ser vistos sob novas perspectivas. Uma solução gera outra. Uma pergunta gera dez novas perguntas. E aquilo que parecia impossível começa a ganhar forma.
Eu sou um exemplo disso. Aliás, estou vivenciando isso agora mesmo, enquanto escrevo este texto... Comecei a fazer ajustes, atualizações e transformações no site do Entrelinhas por volta das 18 horas. Agora são quase 6 horas da manhã. Estou acordada desde as 8 horas do dia anterior... Meu processamento criativo está altamente ativado! E quem disse que quero parar?
Mas, apesar de não ser uma escolha saudável, grande parte dos meus melhores projetos e produções surgiram exatamente desse estado. E foi nele, também, que surgiu o Projeto Entrelinhas... Cada eixo, cada proposta, cada serviço e cada estratégia nasceram da tentativa constante de compreender a educação e descobrir formas mais eficientes, significativas e humanas de atuar por ela... Foi dessa busca que nasceu a Educação Aplicada... foi do processo produtivo que nasceu a Criação Estratégica... e foi nas entrelinhas do Desenvolvimento Humano que encontrei o elemento capaz de integrar todos esses propósitos.
Por isso, encerro este texto com gratidão. Gratidão aos autores que me ajudaram a construir essa visão. Gratidão aos educadores, pesquisadores, cientistas e pensadores que dedicaram suas vidas à produção do conhecimento. Gratidão aos ancestrais que estudaram, trabalharam, lutaram, erraram, acertaram, perderam e conquistaram caminhos que hoje nos permitem avançar um pouco mais. Gratidão à nossa história coletiva. Porque nenhum conhecimento nasce sozinho. Nenhuma transformação acontece sozinha. Nenhum ser humano se desenvolve sozinho. Todos somos resultado de uma construção coletiva que atravessa gerações. E é em respeito a essa trajetória, e a todos aqueles que dedicaram suas vidas para compreender o ser humano e contribuir para sua evolução, que escolho fazer a minha parte.
Em passos de formiguinha... Na minha comunidade... No meu cotidiano...
Na educação!
E é com esse propósito que inauguro oficialmente, hoje, dia 08 de junho de 2026, às 06:10, com a mente quase entrando em colapso por falta de sono hehehe - mas muito orgulhosa de conseguir expressar e compartilhar esses pensamentos - o nosso...
Projeto Entrelinhas: educação aplicada, criação estratégica e
desenvolvimento humano.
...para que possamos atuar onde a educação realmente acontece... nas entrelinhas do desenvolvimento humano...
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